Mostrando postagens com marcador drogas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador drogas. Mostrar todas as postagens

30 maio 2009

Crack

Ela vivia. Cursava faculdade. Tinha Emprego. Teve 4 filhos, mas não os procura mais. Tinha quilos, hoje só pele e nela rugas e cicatrizes. Tinha olhos azuis que hoje não brilham mais. Segue zumbizando, vagando às cegas pelo submundo do crack. Tem 36 anos, mas dá para os dividir em dois. Os 32 de antes contra os últimos quatro aniquilantes. A conheci assim, morta viva. Suplicando pela próxima pedra, mais umas baforadas no veneno que a destrói.

Hoje vive com o companheiro, mais moço. 22 anos. Também divididos entre os 18 de antes e os que sobraram de agora. Juntos, sucumbem como todos que provaram do peso da pedra. E juntos descem cada vez mais, como que querendo cavar, com as próprias mãos queimadas pelo fogo do isqueiro, a cova da qual decidiram não escapar.



Assim que der publico mais fotos e conto mais sobre o que vi.

29 maio 2009

Crack, nem pensar.

Na luta contra o crack, o Grupo RBS lança campanha para estancar o avanço do uso da droga.



Aqui o site da campanha.

23 setembro 2008

Crack

Slideshows são muito bacanas. Como a legenda muitas vezes complementa uma foto (outras vezes não), áudios anexados num conjunto de fotos, em muitos casos, dá força para as imagens. Acho que isso acaba acontecendo neste caso aqui. É um slideshow que montei sobre o que vi e ouvi na Fazenda Esperança. São fotos e depoimentos de viciados em crack contando um pouquinho das suas vidas. Resultado de uma série que pude fazer pelo jornal, numa oportunidade e tanto para aprender algumas lições para o resto da vida.

Mais sobre a fazenda no blog aqui... e mais séries no blog aqui...

Mais sobre a matéria aqui, aqui, aqui e muito mais por aqui, só procurar a série "21 dias no casarão da esperança"...

13 agosto 2008

Crédito da foto: Carlinhos


- E aí meu, como é teu nome?
- Carlinhos.
- E onde é teu quarto?
- Lá em cima. Pra que tu tá tirando foto?
- Eu sou jornalista, é pra uma matéria que o jornal tá fazendo.
- Posso ver?
- Ó.
- Que legal. Deixa eu tirar uma?
- Então bota a alça no pescoço e tira daqui. Ó, segura assim, com a mão esquerda por baixo, e com esse dedo aqui, nesse botão aqui tu bate a foto.
Creck, creck, creck, creck, creck, creck, creck, creck, creck.
- Dedinho pesado hein! Deixa eu te mostrar a foto que tu tirou.

Depois disso ganhei um amigo. E sempre que me via, queria tirar mais umas fotos, às vezes, até me atrapalhava, pois tinha só dois dias para realizar meu trabalho e que, tranqüilamente, seria melhor feito num período maior. No último dia, nas últimas horas da minha visita no local, em um dos últimos personagens, o Carlinhos pediu pra fazer mais umas fotos.

- Deixa eu fotografar de novo?
- Tá deixa eu só fazer mais umas que te empresto a máquina.

- Ó, mas tem que ser daqui onde estamos, não pode ir lá perto da água! Ok? Não pode teimar hein, a máquina não pode molhar que estraga!
- Tá!
- Então bota a alça no pescoço e segura como te ensinei.
- Olha lá, olha lá, ele vai pular na piscina, fotografa, fotografa...
Creck, creck, creck, creck, creck, creck, creck, creck, creck, creck.

- Sempre esse dedo pesado! Deixa eu ver. Bah, que fotão hein guri, tu leva jeito. Olha aqui Mariano, a foto do Carlinhos.
- Muito boa hein!
- Aí Carlinhos, leva jeito hein. Tem que depois que sair daqui estudar mais e aprender mais de foto, tu é bonzão hein!
- Mas tio, quanto tu ganha?

Carlinhos, tem dez anos. E é interno da Fazenda Esperança, um local para as pessoas se livrarem do vício das drogas. A mãe dele não o quer mais. Ele fumava crack e trabalhava como aviãozinho nesse submundo.